Pedagoga defende educação para formar consumidores conscientes

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Veja o depoimento da pedagoga Sueli Dib, para quem a publicidade infantil necessita de regras, mas não deve ser proibida. Para ela, o principal é formar educadores (professores e pais) capacitados a ensinarem as crianças o consumo consciente, que satisfaz as necessidades e não apenas o desejo.

Sueli Dib é pedagoga (Licenciatura Plena com formação para Docência das Séries Iniciais do Ensino Fundamental, Administração Escolar, Supervisão Escolar e Orientação Educacional); Pós-graduada em Qualidade na Educação Básica - Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA)Washington, D.C; Pós-graduada em Tecnologias Interativas Aplicadas à Educação - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo -PUCSP, São Paulo, Brasil; Pós-graduada em Recursos Digitais e Cultura de Uso na Educação - Universidade de São Paulo - USP, São Paulo, Brasil.

Seu depoimento:

"Muitos discutem a ética sobre a publicidade infantil. Alguns especialistas apontam o comportamento agressivo das crianças serem decorrentes da publicidade planejada.

As mensagens televisivas são apontadas como as grandes vilãs, porque manipulam o comportamento das crianças através de mensagens subliminares inseridas nas propagandas com o objetivo do consumo. Mas, mais do que debater se é ético fazer publicidade para induzir as crianças e adolescentes a pressionar os pais comprar um objeto, que promete preencher uma falsa necessidade criada pela mídia, é preciso se criar mecanismos legais para regrar a publicidade, a propaganda e o marketing, principalmente os direcionados para crianças e adolescentes.

Penso que tais regras devem abordar as mídias que incitam a erotização precoce através de produtos que influenciem o vestir, andar, etc., e que tais mídias sejam centradas para os pais (que devem avaliar a qualidade, necessidade) e não mais às crianças, pois é legitimo afirmar que as crianças ou adolescentes quando desejam algo pressionam, azucrinam e teimam até conseguir o que desejam.

A ética na publicidade infantil vem sendo discutida há muitos anos, em vários países, mas aqui no Brasil é preciso melhorar a educação básica cujas crianças serão os futuros cidadãos críticos. Os cursos universitários que formam educadores deveriam ter como matéria o ensino deste tema – o desenvolvimento do pensamento crítico, sua problematização e a resistência às manipulações da indústria cultural movida pelo sistema capitalista. Dessa maneira, se criará uma atitude ativa de defesa da sociedade por seus direitos de escolher o que se deseja consumir, sem afetar a liberdade de cada um. Em relação à criança, ela é antes de mais nada, um ser em formação que precisa receber toda atenção e cuidados dos pais, dos educadores, da sociedade e das autoridades públicas. O que menos interessa nessa fase do desenvolvimento, é ser tratada como um mero comprador de produtos.

Fato incontestável é que todas as mensagens publicitárias têm por objetivo vender um produto ou serviço.  A compra quem decide é o consumidor, tanto melhor se educado para tal, ele comprará apenas o que vai consumir."

 

 

 

 

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Comentário (1)

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  • Ariane Cavalcanti comentou em 23 de julho de 2012

    É impressionante que as pessoas não discutam isso. Formação e educação são os problemas, não a mídia. A deficiência é na formação e não na publicidade (que é muito boa, por sinal). A questão é que as agências de publicidade estão preparadas para seu trabalho. Mas, e os professores? Poucos pedagogos dariam um depoimento como esse. A maioria prefere apontar um culpado, em vez de pensar sobre o assunto com discernimento.